Artigo

 

DEPRESSÃO :0 MAL DA ALMA ,DOENÇA SILENCIOSA

Um dia conheci João naquele interiorzão de Muqui. Pai de família, 3 filhos,uma propriedade de 8 alqueires, com café, eucalipto,lago de peixe e tinha até uns boizinhos.A vida corria como devia com os seus sucessos e fracassos normais,de dívidas possuídas mas nada que não estava nos cronogramas da família.Porém algo afligia João,machucava aquele coração calejado pela vida,nada estava bom ,tudo parecia muito difícil.Sempre muito cansado,sem ânimo para levantar para vida,e num certo dia ,aquele dia que João se sentiu o pior do planeta, o mais fracassado, levantou-se e foi até o paiol,e lá estava, a solução para os seus problemas,os venenos usados nas plantações e, ali João encerrava uma vida de sucessos e felicidade, pois uma coisa o fez esquecer tudo isso e os amores que tinha na vida: A DEPRESSÃO.

O que é a depressão

A depressão, ou transtorno depressivo maior, é uma doença psiquiátrica caracterizada principalmente pela redução do prazer nas atividades habituais, tristeza e prejuízo funcional significativo (como não conseguir trabalhar ou estudar).

Além desses sintomas, o paciente pode apresentar mudanças no apetite (mais comumente diminuição), sensação de fraqueza e cansaço, redução da capacidade de concentração, alterações do sono (insônia ou sonolência excessiva), sensação de cansaço ou perda de energia, sentimentos de culpa e autoestima rebaixada, agitação ou prostração, diminuição do interesse sexual e, eventualmente, pensamentos de morte ou suicídio.

Em recente levantamento nacional coordenado pelo Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, no qual colaboradores encontraram uma prevalência de depressão no Brasil de 28%.

Como a maior parte das pessoas com depressão não associa seus sintomas à doença ou não procura ajuda especializada, apesar da enorme possibilidade de tratamento efetivo, pode-se dizer que este é um grave problema de saúde pública.

O que sente a pessoa deprimida?

Frequentemente “o indivíduo deprimido sente-se triste e desesperançado, desanimado, abatido ou “na fossa”, com” “baixo-astral”. Muitas pessoas com depressão, contudo, negam à existência de tais sentimentos, que podem aparecer de outras maneiras, como por um sentimento de raiva persistente, ataques de ira ou tentativas constantes de culpar os outros, ou mesmo ainda com inúmeras dores pelo corpo, sem outras causas médicas que as justifiquem. Pode ocorrer também uma perda de interesse por atividades que antes eram capazes de dar prazer à pessoa, como atividades recreativas, passatempos, encontros sociais e prática de esportes. Tais eventos deixam de ser agradáveis. Geralmente o sono e a alimentação estão também alterados, podendo haver diminuição do apetite, ou mesmo o oposto, seu aumento, havendo perda ou ganho de peso. Em relação ao sono pode ocorrer insônia, com a pessoa tendo dificuldade para começar a dormir, ou acordando no meio da noite ou mesmo mais cedo que o seu habitual, não conseguindo voltar a dormir. São comuns ainda a sensação de diminuição de energia, cansaço e fadiga, injustificáveis por algum outro problema físico.

 

Como é o pensamento da pessoa deprimida?

Pensamentos que frequentemente ocorrem com as pessoas deprimidas são os de se sentirem sem valor, culpando-se em demasia, sentindo-se fracassadas até por acontecimentos do passado. Muitas vezes questões comuns do dia-a-dia deixam os indivíduos com tais pensamentos. Muitas pessoas podem ter ainda dificuldade em pensar, sentindo-se com falhas para concentrar-se ou para tomar decisões antes corriqueiras, sentindo-se incapazes de tomá-las ou exagerando os efeitos "catastróficos” de suas possíveis decisões errados.

Pensamentos de morte ou tentativas de suicídio

Freqüentemente a pessoa pode pensar muito em morte, em outras pessoas que já morreram, ou na sua própria morte. Muitas “vezes há um desejo suicida, às vezes com tentativas de se matar, achando ser esta a “única saída” ou para” “se livrar “ do sofrimento, sentimentos estes provocados pela própria depressão, que fazem a pessoa culpar-se, sentir-se inútil ou um peso para os outros. Esse aspecto faz com que a depressão seja uma das principais causas de suicídio, principalmente em pessoas deprimidas que vivem solitariamente. É bom lembrar que a própria tendência a isolar-se é uma conseqüência da depressão, a qual gera um ciclo vicioso depressivo que resulta na perda da esperança em melhorar naquelas pessoas que não iniciam um tratamento médico adequado.

Sentimentos que afetam a vida diária e os relacionamentos pessoais

Freqüentemente a depressão pode afetar o dia-a-dia da pessoa. Muitas vezes é difícil iniciar o dia, pelo desânimo e pela tristeza ao acordar. Assim, cuidar das tarefas habituais pode tornar-se um peso: trabalhar, dedicar-se a outra pessoa, cuidar de filhos, entre outros afazeres podem tornar-se apenas obrigações penosas, ou mesmo impraticáveis, dependendo da gravidade dos sintomas. Dessa forma, o relacionamento com outras pessoas pode tornar-se prejudicado: dificuldades conjugais podem acentuar-se, inclusive com a diminuição do desejo sexual; desinteresses por amizades e por convívio social podem fazer o indivíduo tender a se isolar, até mesmo dificultando a busca de ajuda médica.

Qual é tratamento para a depressão

O tratamento ideal para a depressão tem que ser individualizado e usualmente envolve medicamentos antidepressivos e psicoterapia, dependendo da gravidade, número de episódios anteriores, tipo de depressão, entre outros aspectos.

Os medicamentos utilizados são os antidepressivos, medicações que não causam “dependência”, são bem toleradas e seguras se prescritas e acompanhadas pelo médico. Em alguns casos faz-se necessário associar outras medicações, que podem variar de acordo com os sintomas apresentados (ansiolíticos antipsicóticos). Os medicamentos antidepressivos “reequilibram” o desbalanço de algumas substâncias químicas do cérebro, sendo que os mais modernos de modo geral são eficazes, seguros e muito bem tolerados.

Além disso, hoje é sabido que a depressão não tratada ou tratada inadequadamente leva à cronicidade, recorrência mais severa, mais alta níveis de estresse, maiores problemas de concentração e pior qualidade de vida. A doença tem taxas de recidiva de até 80% em um ano sem tratamento e uma taxa de 80% de bem-estar com tratamento. Exercícios físicos, rotina de sono,alimentação balanceada,apoio familiar e suporte social são medidas que ajudam no tratamento.

 

Farmacêutica e Professora de Biologia e Ciências

ADRIANA REZENDE BIGHI

CRF-3348



 


Professora: Adriana Oliveira / Desing: Vinícius Delfino